Recentemente, a tensão envolvendo a Ucrânia e o acesso ao serviço de satélites Starlink, operado pela SpaceX, ganhou novos contornos após Elon Musk determinar a redução da velocidade do sistema, que é crucial para as operações militares ucranianas. A informação foi divulgada pelo jornal The Wall Street Journal (WSJ), que citou fontes próximas ao governo dos Estados Unidos.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, comentou a situação durante uma viagem à Índia, ressaltando que as decisões sobre o uso do Starlink pela Ucrânia pertencem à SpaceX e a Musk, e não à administração americana. “Não tenho conhecimento de que soubéssemos dessa decisão antecipadamente. Mas isso é irrelevante”, disse Rubio, enfatizando que a questão se trata de um contrato comercial que rege as operações do sistema.
A dependência da Ucrânia do Starlink para comunicação em campo de batalha e controle de drones torna a decisão de Musk ainda mais polêmica, visto que a limitação do serviço pode comprometer missões críticas das Forças Armadas ucranianas. A situação se complicou ainda mais com relatos contraditórios sobre a origem da decisão de redução de velocidade. Enquanto o WSJ mencionou uma conversa entre Musk e o ex-presidente Donald Trump sobre a questão, a Reuters havia atribuído a responsabilidade à Casa Branca, uma alegação que foi prontamente negada pelo governo dos EUA.
Trump, por sua vez, tentou distanciar-se da situação, afirmando que nem ele nem Musk eram responsáveis pela interrupção do acesso da Ucrânia ao Starlink. De maneira semelhante, Musk indicou que qualquer limitação seria uma decisão das Forças Armadas dos EUA ou do presidente.
A tensão nas relações entre Kiev e Washington se intensificou após Trump anunciar um acordo para a compra de diesel russo e sugerir que a Ucrânia interrompesse ataques a alvos russos. Nesse contexto, o presidente ucraniano Volodimir Zelenski buscou se fortalecer em Oslo, discutindo com Rubio a situação do Starlink e do novo produto Starshield, uma versão militar do serviço, que, segundo Rubio, a Ucrânia nunca teve acesso.
As divergências sobre a utilização e acesso aos serviços da SpaceX revelam não apenas a complexidade da situação na Ucrânia, mas também a fragilidade das relações entre os aliados, que agora se veem em um impasse que pode impactar diretamente a eficácia das operações militares ucranianas.




