quarta-feira, 28/10/2026

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Educando adolescentes em um mundo hiperconectado: desafios da comunicação e comparação digital

A adolescência sempre foi um período repleto de desafios, mas a chegada da era digital trouxe uma nova camada de complexidade a essa fase da vida. A presença constante dos celulares não apenas moldou…

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A adolescência sempre foi um período repleto de desafios, mas a chegada da era digital trouxe uma nova camada de complexidade a essa fase da vida. A presença constante dos celulares não apenas moldou a rotina dos jovens, mas também alterou radicalmente suas interações sociais, tanto com amigos quanto com a família. Especialistas e adolescentes reconhecem que ser jovem hoje é uma tarefa ainda mais difícil do que há algumas décadas. A pandemia, em particular, teve um impacto significativo, interrompendo momentos sociais cruciais e forçando os jovens a se isolarem em um mundo virtual.

Em um projeto social em Recife, que atua há 25 anos com adolescentes, a proposta é desafiar essa hiperconexão. Durante as atividades, os celulares são desligados, promovendo um espaço para o convívio real. “Eu cheguei tímido, mas agora me sinto mais à vontade”, compartilha Jemerson, um dos participantes. O objetivo é claro: desacelerar e reestabelecer vínculos presenciais.

Para muitos pais, a tecnologia também serve como uma forma de proteção. Cilene, mãe de um adolescente, expressa sua preocupação com a violência em sua comunidade e admite que prefere que seu filho fique em casa, muitas vezes imerso em seu celular por horas a fio. Com a pandemia, essa dependência se acentuou, já que a interação social foi drasticamente reduzida. Uma especialista explica que a adolescência deveria ser um momento de exploração e interação, mas a realidade do confinamento trouxe um “corte radical” nas relações sociais.

As dificuldades de comunicação também se refletem em produções artísticas. Um curta-metragem de estudantes do Rio de Janeiro ilustra a distância entre uma mãe e sua filha adolescente, um tema que ressoou com muitas famílias. “A gente acaba se isolando no nosso mundo digital, e isso afeta a comunicação com os nossos pais”, observa uma das alunas, destacando a dificuldade de dialogar em um contexto tão alterado.

As redes sociais, por sua vez, ampliaram a pressão estética sobre os adolescentes, especialmente entre as meninas. A comparação constante com padrões de beleza muitas vezes prejudica a autoestima, com relatos de jovens que se sentem obrigadas a usar filtros e maquiagem para se sentirem aceitas. Especialistas alertam que essa busca por aprovação pode levar a transtornos de imagem e elevar o risco de depressão.

Diante desses desafios, a comunicação entre pais e filhos se torna essencial. A atriz Ingrid Guimarães e sua filha Clara falam sobre a importância de manter diálogos, mesmo diante das diferenças geracionais. Os especialistas enfatizam que é crucial que os adultos se aproximem dos adolescentes com empatia e compreensão, reconhecendo a complexidade dos tempos atuais.

Assim, em um ambiente repleto de telas e comparações, fortalecer os laços familiares e cultivar espaços de conversa se apresentam como estratégias fundamentais para enfrentar as turbulências da adolescência contemporânea. Os desafios são muitos, mas o diálogo permanece como uma das chaves para a convivência saudável nesta fase da vida.