sábado, 31/10/2026

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Inteligência Artificial e Eleições nos EUA: O Impacto da “Slopaganda” em Campanhas que Movimentaram Mais de US$ 137 Milhões

À medida que as eleições de meio de mandato se aproximam nos Estados Unidos, um novo termo vem ganhando destaque nas discussões sobre propaganda política: “slopaganda”. Essa expressão, que une os conceitos de propaganda…

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À medida que as eleições de meio de mandato se aproximam nos Estados Unidos, um novo termo vem ganhando destaque nas discussões sobre propaganda política: “slopaganda”. Essa expressão, que une os conceitos de propaganda e conteúdo de baixa qualidade gerado por inteligência artificial, reflete preocupações crescentes sobre como a tecnologia pode ser utilizada para manipular a opinião pública e espalhar desinformação.

Os dados mostram que tanto republicanos quanto democratas estão investindo nessa estratégia, mas os republicanos, especialmente aqueles próximos ao ex-presidente Donald Trump, são os maiores consumidores desse tipo de propaganda. Um exemplo emblemático é um anúncio do candidato democrata Abdul El-Sayed, onde ele é retratado em um contexto provocativo e polêmico, sugerindo uma conexão entre seu perfil e temas sensíveis como os atentados de 11 de setembro.

Embora o anúncio tenha sido produzido por uma organização ligada ao senador republicano Ted Cruz e tenha revelado o uso de IA, essa transparência é uma exceção. A maioria dos anúncios não informa os eleitores sobre o uso de tecnologia, dificultando a avaliação da veracidade do conteúdo. Um levantamento do Wesleyan Media Project revelou que, entre os 220 anúncios identificados como gerados por IA, 81% eram de candidatos ou grupos republicanos.

O investimento em “slopaganda” disparou, com gastos que ultrapassam US$ 137 milhões (cerca de R$ 753,4 milhões), um aumento significativo em comparação aos meros US$ 50 mil (R$ 274 mil) gastos em 2024. No entanto, a eficácia dessa abordagem ainda é debatida, com especialistas sugerindo que esses anúncios podem ser mais úteis para mobilizar eleitores do que para realmente influenciar o resultado das eleições.

O senador Jon Ossoff, da Geórgia, expressou sua preocupação com a ascensão da IA na propaganda eleitoral, chamando-a de “caminho perigoso rumo à destruição da verdade no debate político”. Ele pediu a retirada de um anúncio que insinuava que ele “maquiava” seu relatório de prestação de contas, ato que foi realizado por uma entidade que apoia candidatos republicanos.

Pesquisas indicam que a rejeição ao uso de IA nas campanhas eleitorais é significativa, com 73% dos entrevistados considerando essa prática inaceitável. Essa resistência levanta questões sobre a ética e a responsabilidade das campanhas, especialmente em um cenário onde a verdade e a confiança no processo eleitoral estão em jogo.